Fatos principais
- Método: altitudes do Terrain Tiles numa grade de até 500 × 500 células no fuso UTM do exutório, depressões preenchidas com Priority-Flood + ε (Barnes et al. 2014), direções e acúmulo de fluxo D8, exutório levado ao curso d'água mais próximo em até 60 m; testado num vale sintético de bacia conhecida.
- Funciona no seu navegador: o que você clica, desenha ou abre não é enviado.
- Dados e bibliotecas: OpenFreeMap, MapLibre GL JS, GeographicLib (geographiclib-geodesic), Terrain Tiles (Mapzen / Tilezen on AWS Open Data), GeoNames (via all-the-cities).
- Gratuito, sem cadastro e sem instalar nada.
Para dimensionar um bueiro, uma vala, uma bacia de detenção ou uma pequena ponte, ou para resolver um trabalho de hidrologia, primeiro é preciso delimitar a bacia hidrográfica: toda a área cuja chuva escoa até o seu ponto. Um SIG faz isso, mas é preciso encontrar um modelo digital de elevação, preencher as depressões, calcular a direção e o acúmulo de fluxo e ajustar o exutório, o que toma uma tarde na primeira vez. Esta ferramenta faz as mesmas etapas no seu navegador. Clique no curso d'água onde a vazão deve ser medida, e as altitudes ao redor do ponto são lidas do Terrain Tiles, um conjunto de dados de elevação mundial e gratuito que reúne modelos lidar nacionais, EU-DEM, SRTM e outras fontes. As depressões dos dados são preenchidas para que a água sempre possa seguir em frente, cada célula recebe a direção da vizinha de maior declive (o método D8 usado no ArcGIS, no QGIS e no GRASS), e as células a montante do ponto formam a bacia. O contorno aparece no mapa com o talvegue principal e a rede de drenagem, e o painel traz os números que os métodos de projeto e os trabalhos pedem. Baixe a bacia em GeoJSON, KML ou shapefile para o QGIS, o ArcGIS ou o CAD, ou copie um link que reabre o mesmo resultado.
Como usar
- Pesquise uma cidade ou um CEP, ou mova o mapa, e aproxime até ver o rio ou o cruzamento da estrada que você precisa.
- Clique exatamente no rio, na ponte, no bueiro ou na saída do lago; o ponto é levado para a célula de drenagem mais próxima em até 60 m.
- Aguarde alguns segundos enquanto os dados de altitude são lidos; a janela cresce de 4 × 4 km até no máximo 20 × 20 km, até a bacia inteira caber nela.
- Leia no painel a área da bacia, o perímetro, o comprimento do talvegue, as altitudes, a declividade média e os índices de forma.
- Escolha a densidade da rede de drenagem e baixe GeoJSON, KML ou o shapefile, ou copie o link de compartilhamento.
Exemplo resolvido: os índices de forma a partir dos números do painel
Suponha que o painel mostre uma bacia de 12,0 km² com perímetro de 16,8 km e talvegue de 6,2 km. O coeficiente de compacidade de Gravelius compara o perímetro com o de um círculo de mesma área: Kc = P / (2√(πA)) = 16,8 / (2√(π × 12,0)) = 1,37. Um círculo dá 1,00; valores de 1,25 a 1,50 indicam uma bacia ovalada, e acima de 1,50 uma bacia alongada, cujo pico de cheia chega mais tarde e mais baixo. O fator de forma de Horton (no Brasil muitas vezes chamado Kf) usa o comprimento: Rf = A / L² = 12,0 / 6,2² = 0,31, de novo uma bacia alongada (um círculo com o talvegue como diâmetro dá 0,79). A ferramenta calcula os dois com as mesmas fórmulas, a partir da área e do perímetro geodésicos do contorno que desenha, então você pode conferi-los à mão como acima.
Para que as pessoas usam
- Obter a área da bacia para o método racional ou um hidrograma unitário antes de dimensionar um bueiro, uma galeria ou uma vala.
- Trabalhos de hidrologia e geografia que pedem área, perímetro, comprimento do talvegue, amplitude altimétrica, declividade e índices de forma de uma bacia.
- Ver quais lavouras, estradas e povoados drenam para um rio, uma represa ou um poço, em planejamento, agricultura ou qualidade da água.
Qual é a precisão?
De onde vêm as altitudes
O Terrain Tiles usa o melhor modelo de elevação aberto de cada lugar: o lidar de 2 m da Environment Agency na Inglaterra, o USGS 3DEP com cerca de 10 m nos Estados Unidos, modelos nacionais de 10 m na Áustria e na Noruega, o EU-DEM com 25 m em Portugal e na maior parte da Europa, e o SRTM com cerca de 30 m no Brasil e em grande parte do mundo. A ferramenta os lê numa grade quadrada no fuso UTM do exutório com no máximo 500 células por lado: células de 8 m na primeira janela de 4 × 4 km, 40 m na maior, de 20 × 20 km, nunca mais finas do que um pixel dos mosaicos. Uma bacia só é tão boa quanto os divisores entre os vales nesses dados; em morros e serras os divisores são nítidos e o contorno costuma seguir o divisor de águas real a uma ou duas células.
Como a água é encaminhada
Primeiro, cada depressão da grade é preenchida com o algoritmo Priority-Flood de Barnes, Lehman e Mulla (2014), da borda da janela para dentro, e as áreas planas recebem uma inclinação mínima para drenar; depois cada célula drena para a vizinha, entre as oito, de maior queda (D8), e as células cujo caminho passa pelo exutório formam a bacia. É o método padrão do ArcGIS (Fill, Flow Direction, Watershed), do QGIS e do GRASS r.watershed. O D8 manda toda a água numa só direção, então em encostas convexas e suaves o divisor pode oscilar uma célula. Área e perímetro são medidos de forma geodésica no elipsoide WGS84 a partir do contorno, cuja escada de bordas de células é suavizada no máximo três quartos de célula para não superestimar o perímetro.
Terreno plano, cidades e drenagem artificial
Onde o terreno é plano, como na Dinamarca, nos Países Baixos, em várzeas, banhados e planícies fluviais, diferenças de poucos decímetros decidem para onde a água corre, e um modelo de 10–30 m não as enxerga. Valas, drenos, galerias pluviais, bueiros sob estradas e estações de bombeamento também levam a água através de divisores que o relevo não mostra. Nesses lugares o contorno pode sair muito errado: use um modelo lidar de 1–2 m (o MDT lidar da DGT em Portugal, o DHM da Dinamarca no Dataforsyningen, o RGE ALTI da França, o DGM1 dos estados alemães, o MDT do CNIG na Espanha) ou as bacias oficiais do órgão gestor de recursos hídricos, como as ottobacias da ANA no Brasil, e, para qualquer outorga, licença ou cálculo de projeto, a bacia do próprio órgão.
Bacias grandes
A janela cresce de 4 × 4 km para 8, 14 e por fim 20 × 20 km, deslocando-se na direção da bacia encontrada até então. Se a bacia ainda toca a borda da maior janela, a ferramenta avisa e mostra só a parte encontrada: a área, o talvegue e os índices ficam então pequenos demais. Para um rio grande, use as bacias oficiais do seu país ou um conjunto de dados global como o HydroSHEDS.
Bom saber
Clicar ao lado do rio
Um clique na encosta ao lado do rio dá a pequena bacia dessa encosta. A ferramenta leva o ponto para a célula mais próxima, em até 60 m, que drena uma área grande e informa quanto o deslocou; se o resultado for minúsculo, clique sobre o próprio rio ou um pouco mais a jusante.
Lagos e represas
As superfícies de água são planas nos dados. A ferramenta faz um lago drenar pelo ponto mais baixo da margem, que costuma ser o seu sangradouro real, mas uma barragem ou um vertedouro que não está no modelo de elevação pode mandar a água por outro caminho. Clique abaixo da saída do lago para incluir tudo o que drena para ele.
A rede de drenagem é um modelo
As linhas azuis são células que recebem mais do que a área escolhida a montante, não rios mapeados. Onde elas se afastam dos rios do mapa de fundo, os dados de altitude são grosseiros demais ali, o que também é um alerta sobre o contorno.
Perguntas frequentes
Como delimitar a bacia hidrográfica de um ponto?
Aproxime o mapa e clique no rio no ponto que você precisa, por exemplo um bueiro ou uma ponte. A ferramenta traça toda a área a montante que drena para ele e mostra a bacia no mapa com área, comprimento do talvegue, altitudes, declividade e índices de forma.
Qual o tamanho máximo de bacia que ela encontra?
Até cerca de 20 × 20 km, ou seja, bacias de no máximo algumas centenas de quilômetros quadrados, conforme a forma. Quando a bacia é maior, a ferramenta avisa e mostra só a parte dentro da janela.
Qual a precisão do limite da bacia?
Em morros e serras o contorno costuma seguir o divisor de águas real a uma ou duas células da grade, 10–40 m. Em terreno plano, cidades e lavouras drenadas pode errar muito, porque os dados de 10–30 m não veem valas, drenos e pequenas diferenças de altitude. Para projeto, use um modelo lidar ou a bacia oficial.
O que é o coeficiente de compacidade de Gravelius (Kc)?
Kc = P / (2√(πA)) compara o perímetro P da bacia com a circunferência de um círculo de mesma área A. Um círculo dá 1; quanto maior o Kc, mais alongada a bacia e mais lenta a sua resposta às cheias.
Posso abrir a bacia no QGIS, no ArcGIS ou no AutoCAD?
Sim. Baixe o shapefile, um ZIP com o polígono da bacia e a rede de drenagem no fuso UTM do exutório, com arquivo .prj e os números como atributos. Também há GeoJSON e KML, e o link abaixo dos downloads converte o shapefile para o sistema de coordenadas do seu país, como SIRGAS 2000 ou PT-TM06.
A ferramenta calcula a vazão de cheia?
Não. Ela fornece a bacia e a sua morfometria, que são os dados de entrada de métodos como o método racional, um hidrograma unitário ou o manual de drenagem do seu país; a intensidade da chuva e o coeficiente de escoamento dependem da sua região e do uso do solo.
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